Enfim… férias!

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20180703_162209Enfim, as férias!

Como as esperamos! Após um longo semestre de muito trabalho, muitas expectativas, algumas frustrações _ não há como negar, elas se fazem presentes _ e muitos, muitos desafios e aprendizados, chegou o momento de parar.

Parar para descansar corpo e mente. Parar para cuidar. Parar para sentir. Para olhar ao redor e ver o que há muito nos passava apenas como lampejos: nosso lar, nossa família, nossa imagem refletida no espelho. Porque vida de professor é assim. Não deixamos o trabalho na escola. O carregamos na mente e, principalmente, no coração.

Férias? Sim! Precisamos desses dias de calmaria. Sem pressa. Sem listas, cadernos, planejamentos. Mente livre para sonhar. Mas, e o coração? Não… esse não dá para esvaziar.

O coração do professor permanece conectado. Pulsando o desejo de saber mais, de conhecer mais, de ser mais. Porque o desejo não se racionaliza. Ele nasce e se intensifica na medida em que nos fazemos professores; na medida em que refletimos sobre quem somos e sobre quem queremos ser quando estamos com nossos alunos.

Férias? Sim!!!! Que filme vou assistir? Que livro lerei? Vou pensar sobre a vida tomando um chá na varanda…pois na medida em que me penso, na medida em que me sinto, me reconheço. E, quando elas chegarem ao fim, estarei reconectada com quem sou, com minhas verdades, com meus valores.

Quando as férias chegarem ao fim, saberei (ou será “lembrarei”) que profissional quero ser. Reconectar-me-ei com a profissional que já sou, com minhas virtudes e competências e estarei pronta para renovar o que for preciso. Que boas perguntas farei aos meus alunos? Que espaço darei para que eles façam perguntas? Como os escutarei verdadeiramente? Como os ajudarei a aprender diferente? Como me transformarei em nossos encontros e relações? Que experiências a eles proporcionarei?

A pausa nos (re)energiza para viver as intensidades da nossa profissão. As intensidades da vida. Não quero um dia-a-dia apenas cronológico. Não quero simples afazeres após afazeres com meus alunos. Quero o pensar. Levar a pensar. Quero vidas vividas, não vidas apenas narradas. Se me permite Larrosa, quero demorar-me nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender o automatismo da ação. Quero levar as crianças a cultivarem a atenção e a delicadeza; a cultivarem a arte do encontro. Quero calar muito, ter paciência. Quer dar e me dar tempo e espaço para demorarmo-nos nos detalhes. Quero transformar o conhecido em não sabido.

Ao voltar ao trabalho, plena e refeita, quero afetar e deixar-me afetar nessa convivência em grupo e fazer com que, do meu entusiasmo após o merecido descanso, nasça o brilho nos olhos de cada uma de minhas crianças.

 

Anáile Abrahão

Grupo de estudos – Educação Infantil

O Inspirações Pedagógicas, em mais uma parceria com Tais Romero, da Pedagogia Subjetividade, convida você e sua equipe a refletirem sobre sua prática em sala de aula através de análise de propostas didáticas e estudo das teorias que ajudarão a desenvolver as intervenções necessárias no processo de aprendizagem de seus alunos.

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Investimento: 3 parcelas de R$130,00

Horário: 18:30 h às 21:30h

 

              O currículo da experiência: uma viagem ao que ainda não sabemos.

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Potência, intensidade, generosidade da criação. Reflexão, relação e resistência da ação. Pensar e fazer currículo para sermos diferentes em cada gesto. Currículo que não para de se movimentar, vagarosamente veloz, fazendo o inédito todos os dias. Currículo como convite para pensar além da pedagogia, para além da psicologia presentes na escola. Currículo que baila, que encanta e que exige a presença de uma pessoalidade na docência cotidiana. E, para que esse espírito contamine as nossas vidas, é preciso se desfazer. Recompor a bagagem. Desapegar das verdades.

Esse encontro será como preparar uma nova mala (?) para a viagem docente. Pensaremos nas coisas que abrimos mão de ter, nas coisas que queremos que permaneçam e quanto espaço abriremos para o novo!

Marcelo Cunha Bueno

Mentes Inquietas

Mentes inquietas sonhando, criando, mirabolando  dia e noite!

Imagens postadas em redes sociais, durante vários dias, anunciavam o nosso desejo de inspirar educadores!

Textos quentinhos, saindo do forno!

Plantinhas cuidadosamente preparadas para inaugurar nosso sonho, ou melhor, nosso ideal!

Não foi proposital, mas o “destino” quis (ou seria nosso inconsciente?) comemorar o aniversário do Inspirações Pedagógicas com uma grande festa, cheia de educadores especiais, inquietos como nós, ávidos por crescer e oferecer o melhor de si aos alunos, ao mundo.

Há quatro anos estávamos assim e, agora, nos pegamos na mesma euforia. Preparativos a todo vapor. Alegria, ansiedade, correria. A nossa energia não tem fim… Acreditamos que nunca terá. Temos mentes criativas, inquietas, reflexivas.

Até amanhã!

Andrea, Anaile e Mariana.

Sobre a infância e seu tempo

Ah, a infância… como é bom admirá-la! Não há pressa. Não há tempo. Só o seu tempo interessa. Tempo de caminhar devagar, de observar, de tocar, de sentir. Tempo de sonhar.

Por que é tão bom observar as crianças em suas pesquisas, em suas descobertas, em suas indagações? As palavras de Alfredo Hoyuelos descrevem muito bem esse sentimento quando dizem que a infância nos comove por nos provocar a nostalgia de emoções aparentemente esquecidas. Segundo ele, as crianças nos fascinam por sua capacidade de transformar momentos cotidianos (e, muitas vezes, repetidos) em únicos, intensos e preciosos. E, para isso, precisam de tempo. De seu próprio tempo.

A pediatra Húngara Emmi Pikler escreveu um livro cujo título parece um grito reivindicativo da voz da infância _ “Deem-me tempo” _ num pedido para que não se antecipem os ritmos de desenvolvimento das crianças pequenas, aguardando, assim, o tempo de aprendizagem de cada uma. E é nesse esperar que, segundo Hoyuelos, surge o inédito, o surpreendente, e que devemos, como educadores, aproveitar esses momentos em sua plenitude, acolhendo-os e os registrando.

Portanto, devemos repensar o tempo que nossas crianças passam no ambiente escolar. Muitas vezes, 5,6, 10, 12 horas… o que propomos para elas nesse período? Que descobertas e aprendizagens estamos proporcionando? Faz-se muito necessário repensar o conceito de tempo das propostas escolares e, sobretudo, da organização da jornada escolar das crianças. Repensar o porquê de interromper bruscamente o que as crianças estão fazendo, interromper seu pensar, suas construções, suas brincadeiras, não deixando que as crianças deem o máximo de si, como disse Malaguzzi.

Sejamos como as crianças, que ainda têm olhos encantados. Vejamos cada momento, mesmo que familiar, como inédito em nosso cotidiano como educadores. Educadores de sentimentos, de desejos, de sonhos. Educadores do presente, não do futuro.

Anáile Abrahão

imagem4 Poema de Anáile Abrahão

Referência:

HOYUELOS, Alfredo. Los tiempos de la infancia. Disponível em:< http://ice2.uab.cat/jor_infantil_VIII/materials/conf2.pdf>.

Estamos de volta!

Foi um período de muitas mudanças em nossas vidas… mudanças pessoais, mudanças profissionais… mas o que permaneceu intacta foi a paixão. A paixão pela Educação, pelas crianças, por aprender e compartilhar conhecimento.

Estamos de volta com energias renovadas, pensamentos renovados e mentes borbulhando de ideias. Trouxemos até uma outra educadora apaixonada para nos acompanhar nessa jornada de trocas de saberes e de experiências entre nós e, principalmente, com vocês, que, como nós, acreditam que só através da Educação poderemos construir o Brasil que tanto sonhamos.

Hoje, 5 de agosto de 2016, ao escrever este texto, acompanho pela TV a abertura das Olimpíadas. Emocionante rever a história de nosso país representada de forma tão criativa. Pois somos uma nação de pessoas criativas. Mas como pode haver tanta modernidade e inovação em tantos setores e naquele que é responsável por formar cidadãos ainda estejamos caminhando tão devagar?

Queremos e merecemos medalhas nas Olimpíadas, já que o esporte é uma importante ferramenta de formação pessoal para a cidadania, além de agregar muito à Educação. Porém, também queremos ser campeões na garantia de educação de qualidade para todos. Será querer muito? Será querer muito num país que ainda tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola? Será querer muito num país em que mais da metade das escolas públicas não conta com esgoto encanado? Em que apenas 36% possuem biblioteca? Em que 1 a cada 5 alunos do terceiro ano não está alfabetizado? *

Penso que não. Devemos e podemos querer o melhor. Nossas crianças merecem e esperam por isso. Inspiremo-nos em Paulo Freire que, insatisfeito e desafiado pela miséria e opressão que encontrava no mundo, soube que havia muito o que transformar. Segundo ele, não há mudança sem sonho como não há sonho sem esperança. E nosso sonho é poder dar nossa parcela de contribuição para que cada educador que nos acompanha se inspire e trabalhe em busca de conectar pensamento e conhecimento ao se arriscar em novos caminhos.

Tenhamos esperança! Busquemos, sonhemos e desafiemo-nos para desafiar e ampliar nosso repertório e, principalmente, o repertório de nossas crianças.

Anáile Abrahão

 

*Dados do Censo Escolar de 2015