Grupo de estudos – Educação Infantil

O Inspirações Pedagógicas, em mais uma parceria com Tais Romero, da Pedagogia Subjetividade, convida você e sua equipe a refletirem sobre sua prática em sala de aula através de análise de propostas didáticas e estudo das teorias que ajudarão a desenvolver as intervenções necessárias no processo de aprendizagem de seus alunos.

Apresentação1

Investimento: 3 parcelas de R$130,00

Horário: 18:30 h às 21:30h

 

              O currículo da experiência: uma viagem ao que ainda não sabemos.

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Potência, intensidade, generosidade da criação. Reflexão, relação e resistência da ação. Pensar e fazer currículo para sermos diferentes em cada gesto. Currículo que não para de se movimentar, vagarosamente veloz, fazendo o inédito todos os dias. Currículo como convite para pensar além da pedagogia, para além da psicologia presentes na escola. Currículo que baila, que encanta e que exige a presença de uma pessoalidade na docência cotidiana. E, para que esse espírito contamine as nossas vidas, é preciso se desfazer. Recompor a bagagem. Desapegar das verdades.

Esse encontro será como preparar uma nova mala (?) para a viagem docente. Pensaremos nas coisas que abrimos mão de ter, nas coisas que queremos que permaneçam e quanto espaço abriremos para o novo!

Marcelo Cunha Bueno

Mentes Inquietas

Mentes inquietas sonhando, criando, mirabolando  dia e noite!

Imagens postadas em redes sociais, durante vários dias, anunciavam o nosso desejo de inspirar educadores!

Textos quentinhos, saindo do forno!

Plantinhas cuidadosamente preparadas para inaugurar nosso sonho, ou melhor, nosso ideal!

Não foi proposital, mas o “destino” quis (ou seria nosso inconsciente?) comemorar o aniversário do Inspirações Pedagógicas com uma grande festa, cheia de educadores especiais, inquietos como nós, ávidos por crescer e oferecer o melhor de si aos alunos, ao mundo.

Há quatro anos estávamos assim e, agora, nos pegamos na mesma euforia. Preparativos a todo vapor. Alegria, ansiedade, correria. A nossa energia não tem fim… Acreditamos que nunca terá. Temos mentes criativas, inquietas, reflexivas.

Até amanhã!

Andrea, Anaile e Mariana.

Sobre a infância e seu tempo

Ah, a infância… como é bom admirá-la! Não há pressa. Não há tempo. Só o seu tempo interessa. Tempo de caminhar devagar, de observar, de tocar, de sentir. Tempo de sonhar.

Por que é tão bom observar as crianças em suas pesquisas, em suas descobertas, em suas indagações? As palavras de Alfredo Hoyuelos descrevem muito bem esse sentimento quando dizem que a infância nos comove por nos provocar a nostalgia de emoções aparentemente esquecidas. Segundo ele, as crianças nos fascinam por sua capacidade de transformar momentos cotidianos (e, muitas vezes, repetidos) em únicos, intensos e preciosos. E, para isso, precisam de tempo. De seu próprio tempo.

A pediatra Húngara Emmi Pikler escreveu um livro cujo título parece um grito reivindicativo da voz da infância _ “Deem-me tempo” _ num pedido para que não se antecipem os ritmos de desenvolvimento das crianças pequenas, aguardando, assim, o tempo de aprendizagem de cada uma. E é nesse esperar que, segundo Hoyuelos, surge o inédito, o surpreendente, e que devemos, como educadores, aproveitar esses momentos em sua plenitude, acolhendo-os e os registrando.

Portanto, devemos repensar o tempo que nossas crianças passam no ambiente escolar. Muitas vezes, 5,6, 10, 12 horas… o que propomos para elas nesse período? Que descobertas e aprendizagens estamos proporcionando? Faz-se muito necessário repensar o conceito de tempo das propostas escolares e, sobretudo, da organização da jornada escolar das crianças. Repensar o porquê de interromper bruscamente o que as crianças estão fazendo, interromper seu pensar, suas construções, suas brincadeiras, não deixando que as crianças deem o máximo de si, como disse Malaguzzi.

Sejamos como as crianças, que ainda têm olhos encantados. Vejamos cada momento, mesmo que familiar, como inédito em nosso cotidiano como educadores. Educadores de sentimentos, de desejos, de sonhos. Educadores do presente, não do futuro.

Anáile Abrahão

imagem4 Poema de Anáile Abrahão

Referência:

HOYUELOS, Alfredo. Los tiempos de la infancia. Disponível em:< http://ice2.uab.cat/jor_infantil_VIII/materials/conf2.pdf>.

Estamos de volta!

Foi um período de muitas mudanças em nossas vidas… mudanças pessoais, mudanças profissionais… mas o que permaneceu intacta foi a paixão. A paixão pela Educação, pelas crianças, por aprender e compartilhar conhecimento.

Estamos de volta com energias renovadas, pensamentos renovados e mentes borbulhando de ideias. Trouxemos até uma outra educadora apaixonada para nos acompanhar nessa jornada de trocas de saberes e de experiências entre nós e, principalmente, com vocês, que, como nós, acreditam que só através da Educação poderemos construir o Brasil que tanto sonhamos.

Hoje, 5 de agosto de 2016, ao escrever este texto, acompanho pela TV a abertura das Olimpíadas. Emocionante rever a história de nosso país representada de forma tão criativa. Pois somos uma nação de pessoas criativas. Mas como pode haver tanta modernidade e inovação em tantos setores e naquele que é responsável por formar cidadãos ainda estejamos caminhando tão devagar?

Queremos e merecemos medalhas nas Olimpíadas, já que o esporte é uma importante ferramenta de formação pessoal para a cidadania, além de agregar muito à Educação. Porém, também queremos ser campeões na garantia de educação de qualidade para todos. Será querer muito? Será querer muito num país que ainda tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola? Será querer muito num país em que mais da metade das escolas públicas não conta com esgoto encanado? Em que apenas 36% possuem biblioteca? Em que 1 a cada 5 alunos do terceiro ano não está alfabetizado? *

Penso que não. Devemos e podemos querer o melhor. Nossas crianças merecem e esperam por isso. Inspiremo-nos em Paulo Freire que, insatisfeito e desafiado pela miséria e opressão que encontrava no mundo, soube que havia muito o que transformar. Segundo ele, não há mudança sem sonho como não há sonho sem esperança. E nosso sonho é poder dar nossa parcela de contribuição para que cada educador que nos acompanha se inspire e trabalhe em busca de conectar pensamento e conhecimento ao se arriscar em novos caminhos.

Tenhamos esperança! Busquemos, sonhemos e desafiemo-nos para desafiar e ampliar nosso repertório e, principalmente, o repertório de nossas crianças.

Anáile Abrahão

 

*Dados do Censo Escolar de 2015

 

Comemorações na Educação Infantil: é preciso refletir!

Comemorações na Educação Infantil: é preciso refletir!

Durante o tempo em que trabalhei na Educação Infantil, participei de muitas festas com danças, apresentações, ensaios, choros, fotos, alegrias…enfim do pacote completo.

Mas uma cena permanece muito viva em minha memória: Rafael, tinha apenas dois anos e não queria vestir a tal fantasia de castor, a família estava toda na plateia e a mãe foi se irritando com a “birra” (resistência) do pequeno. Eu tentava contornar, acalmar os dois e, eis que de repente a mãe perde a paciência e dá um tapa no filho. Final da história, ele vestiu a fantasia e na hora da apresentação ficou no meu colo, como muitos outros em muitas outras apresentações, e eu até hoje me questiono sobre a relevância desses eventos na escola.

O texto abaixo faz uma reflexão sobre esses momentos na escola. Leia e tire suas próprias conclusões.

A LOUCURA DAS FESTAS DE FIM DE ANO NOS JARDINS DE INFÂNCIA

Os pais e os professores já pensaram sobre a dimensão adquirida pelas festas de fim de ano?

É surpreendente que, quase sem distinção, escolas públicas ou privadas, escolas que trabalham com populações ricas ou de poucos recursos, com excelentes propostas pedagógicas e outras se assemelhem tanto no despreparo de mostrar aos pais aquilo que as professoras são capazes de fazer com seus tesourinhos.

Devemos refletir, também, sobre o fato de que chegar ao final do ano implica a representação teatral de alguma coisa, e quase sempre usando fantasias que as crianças menores invariavelmente resolvem descartar segundos antes de subir no palco.

As professoras conseguem, com esmero e encanto, atravessar o evento com nervos de aço, uma vez que dão sua vida pelo brilho de cada pequeno. Terminar o ano pressupõe para as docentes entregar uniformes, preparar pastas, conceder entrevistas, além de ensaiar, fazer acertos com costureiras e adicionar um sem-número de horas extras de trabalho à sua folha de serviços para que o espetáculo das crianças atenda às expectativas dos pais e esteja à altura do prestígio da instituição.

E as crianças, o que acontece com elas? Algumas desfrutam muitíssimo. Outras passam por um estresse inimaginável para os adultos. Outras urinam nas calças. Outras ainda choram no pior momento. Outras ficam duras no palco, aterrorizadas pelas luzes e mortas de calor sob a roupa de arvorezinha. Algumas se negam categoricamente a subir no palco, entre as explicações amáveis da professora e o pedido suplicante da mãe, que prefere não decepcionar o pai, que espera com a filmadora ligada. Há crianças que passam uma semana com dor de barriga. Há quem se desespere quando cai ou deixa cair uma pétala de papel crepom. Algumas esquecem a música. Algumas se destacam por suas aptidões histriônicas, e são muito aplaudidas… Enfim, os flashes se superpõem e todos querem voltar para casa, torcendo como loucos para que o pesadelo acabe.

Prefiro minimizar a gravidade desses fatos, uma vez que estas encenações fazem parte da “normalidade”. No final das contas, não é tão terrível assim atuar no fim do ano; todos o fazem em todas as escolas. Por que haveria de se modificar algo?

A proposta é admitir a elaboração de pensamentos autônomos. Os adultos devem pensar em como gostariam de festejar o ponto máximo de um processo que compartilharam dentro de uma instituição. O que significa chegar ao fim do ano? O que – quem – estão festejando?

Em princípio, qualquer situação que não queira transformar as crianças em objeto de consumo destinado a satisfazer a vaidade dos adultos é bem-vinda.

Por que não organizar um churrasco, fazer uma quermesse com a participação de todos, contar histórias, dançar cirandas, ensinar canções, pais e filhos pintarem juntos, jogar bola, brincar com água, trocar experiências, fazer um piquenique? Por que os pais não oferecem um espetáculo às crianças, se fantasiando e fazendo uma surpresa? Os adultos podem decidir se querem expor ou não seu corpo ou habilidades expressivas.

Falo da submissão, disfarçada pela alegria e aplausos, imposta a muitas criancinhas. Envolvidos pela ferocidade do festejo, os adultos não se dão conta de que essa não é a forma de brilhar que elas necessariamente preferem. A liberdade de pensamento consiste em admitir que se pense ou se sinta algo diferente daquilo que a maioria definiu como bom ou desejável. Por isso, as megafestas dos jardins de infância são “normais” de forma indiscutível.

As crianças menos ouvidas por suas famílias, menos levadas em consideração em sua condição de crianças, são mais vulneráveis na hora de aceitar uma maior exposição pessoal. Às vezes, as professoras se deixam fascinar pela facilidade com que algumas crianças se dispõem a representar. Sem ignorar que há criancinhas com dons e inquietações teatrais fora do comum, pode-se dizer que a maioria faz um imenso esforço para atender às expectativas dos mais velhos. E sem benefícios pessoais de nenhuma índole, salvo o de se desnudar diante de uma imensidão de olhos alheios.

Crianças estressadas existem e fazem parte de nosso meio. Não sofrem apenas as que têm muitas atividades fora de casa, mas também as que se superadaptam às exigências desnecessárias de uma sociedade que não distingue mais entre uma festa infantil e uma festa para o consumo dos adultos.

Pensando em uma conexão emocional maior, podemos imaginar as festas como espaços ideais para o contato humano, pelo qual todos estão ávidos e carentes. Podem ser a ocasião para se conhecer, para corroborar o significado verdadeiro da escolha que fizemos para nossos filhos. Podemos pensar nas festas de fim de ano como um ritual, como um momento sagrado, do qual adultos e crianças merecem participar. São também a ocasião para observar nossos filhos sem julgá-los e repensar o que na realidade estamos escolhendo para eles.”

(Laura Gutman, em A maternidade e o Encontro com a própria Sombra)
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