Sonho que se sonha junto é realidade

Éramos apenas duas. Duas sonhadoras, que pensavam e respiravam educação intensamente e ininterruptamente. Educadoras, sonhadoras, pensadoras, questionadoras. Em superlativo. Nossas conversas, frequentemente, não continham outro tema. Dúvidas, inquietações, vontade de ser e poder mais. Nosso caminhar em direção a um objetivo comum foi interrompido, em alguns momentos, por uma nova vida que se fazia presente. Entretanto, ele não perdeu o pulsar de nossos desejos.

Agora somos três. O destino nos trouxe uma companhia não menos convicta de que é a paixão pela Educação que nos move. Ela se juntou a nós no pensamento de que tudo que cremos e que queremos não pode se restringir aos nossos longos diálogos e ao nosso contexto de trabalho. Ela se juntou a nós para, juntas, trabalharmos a fim de que outros profissionais possam caminhar conosco por entre muitos saberes. Saberes que ampliam e aprimoram o olhar e provocam constantes reflexões.

2017 chegou já especial. Nossos sonhos de partilha, de aprimoramento e expansão de conhecimento tornaram-se reais. Convidamos a todos, enfim, para se fazerem presentes e brindarem conosco o início de nosso trabalho de formação de educadores!

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O exercício da reflexão: um dos maiores desafios na formação e na atuação do professor

Penso, logo existo”. Essa famosa frase do filósofo francês René Descartes resume claramente o papel do verdadeiro professor. O professor, o educador que pensa, que reflete sobre sua prática, existe para si mesmo e para seus alunos. Existe para seus alunos porque eles se sentem percebidos e, consequentemente, o percebem. Percebem que, para esse professor, eles são protagonistas. E o professor existe para si mesmo, já que ele também se percebe. Consegue notar seus pontos fracos e fortes, onde acertou, onde errou e o porquê de suas atitudes. Percebe-se como um ser inteiro, possuidor de vivências e aberto a mudanças, progressos e aperfeiçoamentos.

Isso é ser um professor reflexivo. Aquele capaz de pensar sobre sua prática, analisá-la e questioná-la à luz da ciência, da ética, da política e das suas próprias experiências, a fim de responder aos dilemas e conflitos de sua profissão; é aquele que nunca se satisfaz, que jamais julga seu trabalho perfeito, concluído, sem possibilidade de melhorias. É aquele que está sempre em contato com seus pares com o intuito de uma relação dialógica; aquele que lê, observa, analisa e pesquisa para atender sempre melhor o aluno, sujeito e objeto de sua ação docente.

Refletir é, portanto, pensar sistematicamente e rigorosamente sobre uma ação ou ideia, levando em consideração o conhecimento prévio, as experiências pessoais e profissionais, os conhecimentos teórico e proposicional. Não deve ser um processo individual apenas, já que os comentários e discussões com os pares podem auxiliar na compreensão mais detalhada de uma situação. É uma ação que, quando ultrapassa os níveis técnicos e práticos e atinge o nível crítico, valoriza o crescimento individual e intelectual do professor e de seus interlocutores, influenciando sua atuação e, consequentemente, o processo de ensino-aprendizagem.

A reflexão leva o professor a repensar quem ele é e quem é o aluno que está na sua frente: o que ele quer, do que ele precisa, como ele aprende, e a identificar o caminho para chegar até ele _ o grande desafio da educação atual. E isso só será possível se ele se propuser um processo de busca e aprimoramento constantes. Quem reflete sobre o que faz, não se acomoda, não repete erros e se um mostra profissional de verdade, uma vez que consegue transformar a realidade, de modo que ela seja uma resposta a todos os seus questionamentos e aspirações.

Se acaso alguém me perguntasse o significado de ensinar e a definição de professor há exatamente 14 anos atrás, no momento em que terminava minha primeira graduação _ o curso de Letras _, minha resposta, certamente, seria: “Ser professor é transmitir conhecimentos. É trabalhar para que meus alunos aprendam tudo o que eu sei, toda a informação que acumulei ao longo de muitos anos de estudo. Ensinar é passar conteúdos através da leitura do livro didático, de exercícios de fixação. E, para verificar se todos aprenderam, basta aplicar uma prova cujas respostas devem estar prontamente memorizadas”.

Hoje, sabemos que essa forma de educação não é a mais recomendável se quisermos formar pessoas verdadeiramente condutoras de sua própria história e que façam a diferença na sociedade. Para esse fim, a verdadeira formação deveria se dar nas universidades que formam futuros educadores.

Antes de se dizer educador, aquele que se graduou nas licenciaturas deveria fazer uma autorreflexão. Se, nesse ato de pensar sobre sua formação, o formando se perceber completo, portador de todo conhecimento necessário para atuar em sala de aula, algo está errado em suas concepções.

Como dizia Paulo Freire, o ser humano é inacabado e deve se inserir num movimento permanente de busca. No caso do profissional e dos estudantes de Pedagogia, essa busca torna-se obrigatória _outro grande desafio. Para Cortella, cujo pensamento vai ao encontro de Freire, só é um bom ensinante quem for um bom aprendente, um bom estudante, alguém que tem uma postura crítica e sistemática perante os fatos, perante toda e qualquer fonte de informação.

Todo professor não deveria deixar de ser estudante. Estudar, estar em constante atualização, é parte intrínseca do ato de ensinar. O professor, ainda segundo Freire, deve ter uma postura curiosa diante do mundo, se o que quer é alunos curiosos diante do mundo. Se perguntarmos a qualquer professor que tipo de aluno ele quer formar, ele responderá “alunos críticos e que sejam protagonistas de sua própria história”. Ora, como formar alunos com essas caraterísticas se os próprios professores, muitas vezes, não as possuem? Como ensinar alunos a estudar se nem os próprios professores o sabem ou o querem fazer?

Em minha rotina em sala de aula da Educação Infantil, recebi, e ainda recebo, meninas estudantes de Pedagogia que não compreendem essa postura investigativa, provocativa, que um professor deve ter. Muitas dessas meninas sequer aprenderam a estudar, pois o ato de estudar também deve ser ensinado às crianças. Assim, o ciclo se repete.

Nós, professores, precisamos modificar nossa postura e perceber que o ato de estudar, de confrontar, de comparar, de criar e recriar ideias é condição essencial para que nossas crianças nunca deixem de pensar, de ser curiosas, de questionar e de querer aprender e crescer.

Anáile Abrahão

Sobre a infância e seu tempo

Ah, a infância… como é bom admirá-la! Não há pressa. Não há tempo. Só o seu tempo interessa. Tempo de caminhar devagar, de observar, de tocar, de sentir. Tempo de sonhar.

Por que é tão bom observar as crianças em suas pesquisas, em suas descobertas, em suas indagações? As palavras de Alfredo Hoyuelos descrevem muito bem esse sentimento quando dizem que a infância nos comove por nos provocar a nostalgia de emoções aparentemente esquecidas. Segundo ele, as crianças nos fascinam por sua capacidade de transformar momentos cotidianos (e, muitas vezes, repetidos) em únicos, intensos e preciosos. E, para isso, precisam de tempo. De seu próprio tempo.

A pediatra Húngara Emmi Pikler escreveu um livro cujo título parece um grito reivindicativo da voz da infância _ “Deem-me tempo” _ num pedido para que não se antecipem os ritmos de desenvolvimento das crianças pequenas, aguardando, assim, o tempo de aprendizagem de cada uma. E é nesse esperar que, segundo Hoyuelos, surge o inédito, o surpreendente, e que devemos, como educadores, aproveitar esses momentos em sua plenitude, acolhendo-os e os registrando.

Portanto, devemos repensar o tempo que nossas crianças passam no ambiente escolar. Muitas vezes, 5,6, 10, 12 horas… o que propomos para elas nesse período? Que descobertas e aprendizagens estamos proporcionando? Faz-se muito necessário repensar o conceito de tempo das propostas escolares e, sobretudo, da organização da jornada escolar das crianças. Repensar o porquê de interromper bruscamente o que as crianças estão fazendo, interromper seu pensar, suas construções, suas brincadeiras, não deixando que as crianças deem o máximo de si, como disse Malaguzzi.

Sejamos como as crianças, que ainda têm olhos encantados. Vejamos cada momento, mesmo que familiar, como inédito em nosso cotidiano como educadores. Educadores de sentimentos, de desejos, de sonhos. Educadores do presente, não do futuro.

Anáile Abrahão

imagem4 Poema de Anáile Abrahão

Referência:

HOYUELOS, Alfredo. Los tiempos de la infancia. Disponível em:< http://ice2.uab.cat/jor_infantil_VIII/materials/conf2.pdf>.

A utopia do protagonismo

Nos dias 13 e 14 de agosto, estivemos em Belo Horizonte, MG, em um seminário entitulado “A utopia da continuação”, que tratou da abordagem de Reggio Emilia no trabalho com o ensino fundamental. Esse estudo ainda nos renderá muitos textos, mas hoje falarei sobre a utopia do protagonismo.

 

Certamente, essa experiência acrescentou muito em minha vida profissional. Não que eu tenha visto muitas novidades, pelo contrário, revi muitas coisas, mas esses dias de reflexão me fizeram repensar minha postura como educadora.

Reggio Emilia, para quem não conhece, trata-se de uma região da Itália muito conhecida por suas escolas para crianças de 0 a 6 anos (veja no blog o texto  O imaginário nas escolas de Reggio Emilia” e conheça mais sobre essa abordagem). Um local com uma comunidade disponível e escolas abertas, o que resulta em parcerias riquíssimas! Lá acontecem constantes reflexões sobre as experiências vividas pelas crianças e, nesse espaço aberto e acessível, escola e famílias discutem e refletem juntas, a fim de proporcionar o melhor para as crianças.

Com toda essa base, não poderia ser diferente, encontramos crianças reflexivas, que sabem argumentar, criar hipóteses, e articular conhecimentos.

Contam também com mais um educador: o espaço!  O ambiente é o promotor da busca. Com propostas que estimulam a curiosidade e incentivam a pesquisa ele favorece o protagonismo das crianças, funcionando como o terceiro educador (em Reggio, sempre há 2 educadoras por turma). Quando o espaço por si já convida a criança a aprender, despertando a vontade de descobrir, nós, professores, temos a oportunidade de participar mais efetivamente das experiências dos nossos alunos.

Um ambiente que contribui com o aprendizado, crianças que buscam informações, refletem, discutem e constroem conhecimentos…Quanto protagonismo! Mas e o professor? Qual o papel do professor em uma escola onde o protagonista é o aluno?

O professor educador deve se preocupar em proporcionar esses momentos para seus alunos, em problematizar situações cotidianas, para que as crianças possam criar e compartilhar suas hipóteses. Ele deve oferecer fontes de informações, mostrar o caminho do conhecimento, orientá-los no processo de encontrar, organizar e conectar os saberes.

Ótimo! Estamos no caminho certo, tudo que já fazemos. Mas uma coisa me chamou atenção nessas crianças: a linguagem utilizada em seus registros. Encontrei uma riqueza muito grande no vocabulário e na forma de expressar os pensamentos.

Observar todo esse potencial, me fez repensar minha prática. Refleti muito e cheguei a uma conclusão: são crianças livres, com seus pensamentos valorizados, e que acreditam no valor de suas reflexões. São crianças que vão longe, pois não têm medo de errar e que encaram o erro como uma oportunidade de aprendizado. Elas vivem essa realidade.

Quão distante disso estamos? Por que não valorizar e acreditar nos pensamentos de meus alunos nesse mesmo nível? Quanto de mim está presente em suas construções? Será que há protagonismo? Eles são donos de seus conhecimentos? São perguntas que rondaram meus pensamentos nos últimos dias.

Então me desafiei a instigar ainda mais a curiosidade destas crianças que foram confiadas a mim. Elas devem ser ouvidas como seres sábios, e respeitadas em suas condições. E essa será minha missão como educadora.

Mas e a comunidade? Ela se articula em torno dessas necessidades? Os pais aceitarão essas propostas? Entenderão o meu trabalho? Até onde permitirão o protagonismo? Isso eu não sei. Sei o que eu posso fazer, e isso farei com toda dedicação. Devemos reconhecer nossas limitações sem deixar de oferecer nosso melhor. Com certeza o resultado de um trabalho de dedicação, fará com que os outros repensem sua forma de agir. Esse já é o primeiro passo: fazer a minha parte. Assim já estaremos fazendo a diferença.

Mariana Almeida

Quer saber mais?

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“Tornando visível a aprendizagem: crianças que aprendem individualmente e em grupo”

Coleção Reggio Emilia

Phorte Editora

Preço aproximado: R$90,00

Comemorações na Educação Infantil: é preciso refletir!

Comemorações na Educação Infantil: é preciso refletir!

Durante o tempo em que trabalhei na Educação Infantil, participei de muitas festas com danças, apresentações, ensaios, choros, fotos, alegrias…enfim do pacote completo.

Mas uma cena permanece muito viva em minha memória: Rafael, tinha apenas dois anos e não queria vestir a tal fantasia de castor, a família estava toda na plateia e a mãe foi se irritando com a “birra” (resistência) do pequeno. Eu tentava contornar, acalmar os dois e, eis que de repente a mãe perde a paciência e dá um tapa no filho. Final da história, ele vestiu a fantasia e na hora da apresentação ficou no meu colo, como muitos outros em muitas outras apresentações, e eu até hoje me questiono sobre a relevância desses eventos na escola.

O texto abaixo faz uma reflexão sobre esses momentos na escola. Leia e tire suas próprias conclusões.

A LOUCURA DAS FESTAS DE FIM DE ANO NOS JARDINS DE INFÂNCIA

Os pais e os professores já pensaram sobre a dimensão adquirida pelas festas de fim de ano?

É surpreendente que, quase sem distinção, escolas públicas ou privadas, escolas que trabalham com populações ricas ou de poucos recursos, com excelentes propostas pedagógicas e outras se assemelhem tanto no despreparo de mostrar aos pais aquilo que as professoras são capazes de fazer com seus tesourinhos.

Devemos refletir, também, sobre o fato de que chegar ao final do ano implica a representação teatral de alguma coisa, e quase sempre usando fantasias que as crianças menores invariavelmente resolvem descartar segundos antes de subir no palco.

As professoras conseguem, com esmero e encanto, atravessar o evento com nervos de aço, uma vez que dão sua vida pelo brilho de cada pequeno. Terminar o ano pressupõe para as docentes entregar uniformes, preparar pastas, conceder entrevistas, além de ensaiar, fazer acertos com costureiras e adicionar um sem-número de horas extras de trabalho à sua folha de serviços para que o espetáculo das crianças atenda às expectativas dos pais e esteja à altura do prestígio da instituição.

E as crianças, o que acontece com elas? Algumas desfrutam muitíssimo. Outras passam por um estresse inimaginável para os adultos. Outras urinam nas calças. Outras ainda choram no pior momento. Outras ficam duras no palco, aterrorizadas pelas luzes e mortas de calor sob a roupa de arvorezinha. Algumas se negam categoricamente a subir no palco, entre as explicações amáveis da professora e o pedido suplicante da mãe, que prefere não decepcionar o pai, que espera com a filmadora ligada. Há crianças que passam uma semana com dor de barriga. Há quem se desespere quando cai ou deixa cair uma pétala de papel crepom. Algumas esquecem a música. Algumas se destacam por suas aptidões histriônicas, e são muito aplaudidas… Enfim, os flashes se superpõem e todos querem voltar para casa, torcendo como loucos para que o pesadelo acabe.

Prefiro minimizar a gravidade desses fatos, uma vez que estas encenações fazem parte da “normalidade”. No final das contas, não é tão terrível assim atuar no fim do ano; todos o fazem em todas as escolas. Por que haveria de se modificar algo?

A proposta é admitir a elaboração de pensamentos autônomos. Os adultos devem pensar em como gostariam de festejar o ponto máximo de um processo que compartilharam dentro de uma instituição. O que significa chegar ao fim do ano? O que – quem – estão festejando?

Em princípio, qualquer situação que não queira transformar as crianças em objeto de consumo destinado a satisfazer a vaidade dos adultos é bem-vinda.

Por que não organizar um churrasco, fazer uma quermesse com a participação de todos, contar histórias, dançar cirandas, ensinar canções, pais e filhos pintarem juntos, jogar bola, brincar com água, trocar experiências, fazer um piquenique? Por que os pais não oferecem um espetáculo às crianças, se fantasiando e fazendo uma surpresa? Os adultos podem decidir se querem expor ou não seu corpo ou habilidades expressivas.

Falo da submissão, disfarçada pela alegria e aplausos, imposta a muitas criancinhas. Envolvidos pela ferocidade do festejo, os adultos não se dão conta de que essa não é a forma de brilhar que elas necessariamente preferem. A liberdade de pensamento consiste em admitir que se pense ou se sinta algo diferente daquilo que a maioria definiu como bom ou desejável. Por isso, as megafestas dos jardins de infância são “normais” de forma indiscutível.

As crianças menos ouvidas por suas famílias, menos levadas em consideração em sua condição de crianças, são mais vulneráveis na hora de aceitar uma maior exposição pessoal. Às vezes, as professoras se deixam fascinar pela facilidade com que algumas crianças se dispõem a representar. Sem ignorar que há criancinhas com dons e inquietações teatrais fora do comum, pode-se dizer que a maioria faz um imenso esforço para atender às expectativas dos mais velhos. E sem benefícios pessoais de nenhuma índole, salvo o de se desnudar diante de uma imensidão de olhos alheios.

Crianças estressadas existem e fazem parte de nosso meio. Não sofrem apenas as que têm muitas atividades fora de casa, mas também as que se superadaptam às exigências desnecessárias de uma sociedade que não distingue mais entre uma festa infantil e uma festa para o consumo dos adultos.

Pensando em uma conexão emocional maior, podemos imaginar as festas como espaços ideais para o contato humano, pelo qual todos estão ávidos e carentes. Podem ser a ocasião para se conhecer, para corroborar o significado verdadeiro da escolha que fizemos para nossos filhos. Podemos pensar nas festas de fim de ano como um ritual, como um momento sagrado, do qual adultos e crianças merecem participar. São também a ocasião para observar nossos filhos sem julgá-los e repensar o que na realidade estamos escolhendo para eles.”

(Laura Gutman, em A maternidade e o Encontro com a própria Sombra)
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O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade?

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“Nesse mundo contemporâneo, ter, ser, saber, parecem fazer parte de uma competição. Nesse mundo, alguns pais e algumas mães acabam acreditando que é preciso que seus filhos saibam sempre mais que os filhos de outros. E isso sim seria então sinal de adequação e o mais importante: de sucesso.

O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, em um fórum de discussão sobre educação de filhos, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente para a sua idade.

[…]

Para contrapor às listas indicadas pelas mães, em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100,  Alicia Bayer, organizou uma lista bem mais interessante para que pais e mães considerem que uma criança deve saber.

Veja alguns exemplos abaixo:

  • Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.
  • Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.
  • Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.
  • Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.
  • Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.
  • Deve saber que o mundo é mágico e ela também.
  • Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.
  • Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

  • Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.
  • Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.
  • Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  • Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.
  • Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?”

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“O castigo pode resultar em bom comportamento nos primeiros anos, mas sempre há um alto preço, a ser pago pelos pais e pela sociedade em geral quando a criança atingir a adolescência e juventude.”

Sou adepta e incentivadora da educação para a paz. Ao ler o artigo postado aqui muitos poderão se valer do jargão “Eu apanhei quando criança e não cresci traumatizado”, e eu digo “que bom”, mas não é sempre assim.
As crianças não são apenas projetos de adultos, são pessoas com sentimentos, necessidades e desejos, como nós. A diferença é que já vivemos mais que elas e, supostamente, temos mais maturidade, adquirida pelas experiências que passamos.
Então proponho que nos libertemos dos modelos autoritários em busca da cultura de paz para sermos mais felizes.

Mais…

[…] alfabetização é um processo que não se dá no primeiro ano só. É um trabalho contínuo. Cabe ao professor dominar alguns conhecimentos linguísticos, gramaticais e sociais para que ele não exclua nenhuma criança desse aprendizado e para que organize o seu fazer pedagógico.

http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2013/05/29/alfabetizacao-letra-bastao-tende-substituir-letra-de-mao