Sonho que se sonha junto é realidade

Éramos apenas duas. Duas sonhadoras, que pensavam e respiravam educação intensamente e ininterruptamente. Educadoras, sonhadoras, pensadoras, questionadoras. Em superlativo. Nossas conversas, frequentemente, não continham outro tema. Dúvidas, inquietações, vontade de ser e poder mais. Nosso caminhar em direção a um objetivo comum foi interrompido, em alguns momentos, por uma nova vida que se fazia presente. Entretanto, ele não perdeu o pulsar de nossos desejos.

Agora somos três. O destino nos trouxe uma companhia não menos convicta de que é a paixão pela Educação que nos move. Ela se juntou a nós no pensamento de que tudo que cremos e que queremos não pode se restringir aos nossos longos diálogos e ao nosso contexto de trabalho. Ela se juntou a nós para, juntas, trabalharmos a fim de que outros profissionais possam caminhar conosco por entre muitos saberes. Saberes que ampliam e aprimoram o olhar e provocam constantes reflexões.

2017 chegou já especial. Nossos sonhos de partilha, de aprimoramento e expansão de conhecimento tornaram-se reais. Convidamos a todos, enfim, para se fazerem presentes e brindarem conosco o início de nosso trabalho de formação de educadores!

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Sobre a infância e seu tempo

Ah, a infância… como é bom admirá-la! Não há pressa. Não há tempo. Só o seu tempo interessa. Tempo de caminhar devagar, de observar, de tocar, de sentir. Tempo de sonhar.

Por que é tão bom observar as crianças em suas pesquisas, em suas descobertas, em suas indagações? As palavras de Alfredo Hoyuelos descrevem muito bem esse sentimento quando dizem que a infância nos comove por nos provocar a nostalgia de emoções aparentemente esquecidas. Segundo ele, as crianças nos fascinam por sua capacidade de transformar momentos cotidianos (e, muitas vezes, repetidos) em únicos, intensos e preciosos. E, para isso, precisam de tempo. De seu próprio tempo.

A pediatra Húngara Emmi Pikler escreveu um livro cujo título parece um grito reivindicativo da voz da infância _ “Deem-me tempo” _ num pedido para que não se antecipem os ritmos de desenvolvimento das crianças pequenas, aguardando, assim, o tempo de aprendizagem de cada uma. E é nesse esperar que, segundo Hoyuelos, surge o inédito, o surpreendente, e que devemos, como educadores, aproveitar esses momentos em sua plenitude, acolhendo-os e os registrando.

Portanto, devemos repensar o tempo que nossas crianças passam no ambiente escolar. Muitas vezes, 5,6, 10, 12 horas… o que propomos para elas nesse período? Que descobertas e aprendizagens estamos proporcionando? Faz-se muito necessário repensar o conceito de tempo das propostas escolares e, sobretudo, da organização da jornada escolar das crianças. Repensar o porquê de interromper bruscamente o que as crianças estão fazendo, interromper seu pensar, suas construções, suas brincadeiras, não deixando que as crianças deem o máximo de si, como disse Malaguzzi.

Sejamos como as crianças, que ainda têm olhos encantados. Vejamos cada momento, mesmo que familiar, como inédito em nosso cotidiano como educadores. Educadores de sentimentos, de desejos, de sonhos. Educadores do presente, não do futuro.

Anáile Abrahão

imagem4 Poema de Anáile Abrahão

Referência:

HOYUELOS, Alfredo. Los tiempos de la infancia. Disponível em:< http://ice2.uab.cat/jor_infantil_VIII/materials/conf2.pdf>.

Comemorações na Educação Infantil: é preciso refletir!

Comemorações na Educação Infantil: é preciso refletir!

Durante o tempo em que trabalhei na Educação Infantil, participei de muitas festas com danças, apresentações, ensaios, choros, fotos, alegrias…enfim do pacote completo.

Mas uma cena permanece muito viva em minha memória: Rafael, tinha apenas dois anos e não queria vestir a tal fantasia de castor, a família estava toda na plateia e a mãe foi se irritando com a “birra” (resistência) do pequeno. Eu tentava contornar, acalmar os dois e, eis que de repente a mãe perde a paciência e dá um tapa no filho. Final da história, ele vestiu a fantasia e na hora da apresentação ficou no meu colo, como muitos outros em muitas outras apresentações, e eu até hoje me questiono sobre a relevância desses eventos na escola.

O texto abaixo faz uma reflexão sobre esses momentos na escola. Leia e tire suas próprias conclusões.

A LOUCURA DAS FESTAS DE FIM DE ANO NOS JARDINS DE INFÂNCIA

Os pais e os professores já pensaram sobre a dimensão adquirida pelas festas de fim de ano?

É surpreendente que, quase sem distinção, escolas públicas ou privadas, escolas que trabalham com populações ricas ou de poucos recursos, com excelentes propostas pedagógicas e outras se assemelhem tanto no despreparo de mostrar aos pais aquilo que as professoras são capazes de fazer com seus tesourinhos.

Devemos refletir, também, sobre o fato de que chegar ao final do ano implica a representação teatral de alguma coisa, e quase sempre usando fantasias que as crianças menores invariavelmente resolvem descartar segundos antes de subir no palco.

As professoras conseguem, com esmero e encanto, atravessar o evento com nervos de aço, uma vez que dão sua vida pelo brilho de cada pequeno. Terminar o ano pressupõe para as docentes entregar uniformes, preparar pastas, conceder entrevistas, além de ensaiar, fazer acertos com costureiras e adicionar um sem-número de horas extras de trabalho à sua folha de serviços para que o espetáculo das crianças atenda às expectativas dos pais e esteja à altura do prestígio da instituição.

E as crianças, o que acontece com elas? Algumas desfrutam muitíssimo. Outras passam por um estresse inimaginável para os adultos. Outras urinam nas calças. Outras ainda choram no pior momento. Outras ficam duras no palco, aterrorizadas pelas luzes e mortas de calor sob a roupa de arvorezinha. Algumas se negam categoricamente a subir no palco, entre as explicações amáveis da professora e o pedido suplicante da mãe, que prefere não decepcionar o pai, que espera com a filmadora ligada. Há crianças que passam uma semana com dor de barriga. Há quem se desespere quando cai ou deixa cair uma pétala de papel crepom. Algumas esquecem a música. Algumas se destacam por suas aptidões histriônicas, e são muito aplaudidas… Enfim, os flashes se superpõem e todos querem voltar para casa, torcendo como loucos para que o pesadelo acabe.

Prefiro minimizar a gravidade desses fatos, uma vez que estas encenações fazem parte da “normalidade”. No final das contas, não é tão terrível assim atuar no fim do ano; todos o fazem em todas as escolas. Por que haveria de se modificar algo?

A proposta é admitir a elaboração de pensamentos autônomos. Os adultos devem pensar em como gostariam de festejar o ponto máximo de um processo que compartilharam dentro de uma instituição. O que significa chegar ao fim do ano? O que – quem – estão festejando?

Em princípio, qualquer situação que não queira transformar as crianças em objeto de consumo destinado a satisfazer a vaidade dos adultos é bem-vinda.

Por que não organizar um churrasco, fazer uma quermesse com a participação de todos, contar histórias, dançar cirandas, ensinar canções, pais e filhos pintarem juntos, jogar bola, brincar com água, trocar experiências, fazer um piquenique? Por que os pais não oferecem um espetáculo às crianças, se fantasiando e fazendo uma surpresa? Os adultos podem decidir se querem expor ou não seu corpo ou habilidades expressivas.

Falo da submissão, disfarçada pela alegria e aplausos, imposta a muitas criancinhas. Envolvidos pela ferocidade do festejo, os adultos não se dão conta de que essa não é a forma de brilhar que elas necessariamente preferem. A liberdade de pensamento consiste em admitir que se pense ou se sinta algo diferente daquilo que a maioria definiu como bom ou desejável. Por isso, as megafestas dos jardins de infância são “normais” de forma indiscutível.

As crianças menos ouvidas por suas famílias, menos levadas em consideração em sua condição de crianças, são mais vulneráveis na hora de aceitar uma maior exposição pessoal. Às vezes, as professoras se deixam fascinar pela facilidade com que algumas crianças se dispõem a representar. Sem ignorar que há criancinhas com dons e inquietações teatrais fora do comum, pode-se dizer que a maioria faz um imenso esforço para atender às expectativas dos mais velhos. E sem benefícios pessoais de nenhuma índole, salvo o de se desnudar diante de uma imensidão de olhos alheios.

Crianças estressadas existem e fazem parte de nosso meio. Não sofrem apenas as que têm muitas atividades fora de casa, mas também as que se superadaptam às exigências desnecessárias de uma sociedade que não distingue mais entre uma festa infantil e uma festa para o consumo dos adultos.

Pensando em uma conexão emocional maior, podemos imaginar as festas como espaços ideais para o contato humano, pelo qual todos estão ávidos e carentes. Podem ser a ocasião para se conhecer, para corroborar o significado verdadeiro da escolha que fizemos para nossos filhos. Podemos pensar nas festas de fim de ano como um ritual, como um momento sagrado, do qual adultos e crianças merecem participar. São também a ocasião para observar nossos filhos sem julgá-los e repensar o que na realidade estamos escolhendo para eles.”

(Laura Gutman, em A maternidade e o Encontro com a própria Sombra)
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O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade?

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“Nesse mundo contemporâneo, ter, ser, saber, parecem fazer parte de uma competição. Nesse mundo, alguns pais e algumas mães acabam acreditando que é preciso que seus filhos saibam sempre mais que os filhos de outros. E isso sim seria então sinal de adequação e o mais importante: de sucesso.

O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, em um fórum de discussão sobre educação de filhos, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente para a sua idade.

[…]

Para contrapor às listas indicadas pelas mães, em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100,  Alicia Bayer, organizou uma lista bem mais interessante para que pais e mães considerem que uma criança deve saber.

Veja alguns exemplos abaixo:

  • Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.
  • Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.
  • Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.
  • Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.
  • Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.
  • Deve saber que o mundo é mágico e ela também.
  • Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.
  • Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

  • Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.
  • Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.
  • Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  • Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.
  • Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?”

Leia mais em:

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[…] alfabetização é um processo que não se dá no primeiro ano só. É um trabalho contínuo. Cabe ao professor dominar alguns conhecimentos linguísticos, gramaticais e sociais para que ele não exclua nenhuma criança desse aprendizado e para que organize o seu fazer pedagógico.

http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2013/05/29/alfabetizacao-letra-bastao-tende-substituir-letra-de-mao

O imaginário nas escolas de Reggio Emilia

A proposta pedagógica das escolas da infância de Reggio consiste em criar, constantemente, uma rede de comunicação e paz. Os diálogos desenvolvidos entre criança-criança, criança-professor e entre o grupo de professores são essenciais e diferem enormemente das escolas onde todos falam e ninguém ouve. Em Reggio, os professores entendem que as crianças falam para dizer algo, para se comunicar _ necessidade básica de qualquer ser humano_ e desenvolvem o que chamam de Pedagogia da Escuta, ou seja, as falas das crianças são registradas e se tornam parte da documentação dos projetos, relatórios e diários. Como a preocupação fundamental é a unidade entre educação e cultura, as crianças e a escola têm contato estreito com toda sua forma de representação: teatro, cinema, shows, concertos, exposições. As atividades culturais da cidade e do país são veiculadas em forma de cartazes que, harmoniosamente, são afixados nos murais das escolas. As escolas, por sua vez, estão representadas na sociedade pelos desenhos das crianças, que ilustram folders de hotéis, panfletos de lojas, a lista telefônica, existindo, ainda, a possibilidade de decorar lojas da cidade com “obras infantis”, num intenso movimento de diálogo e participação escola-sociedade.

Mapa da cidade feito com desenho das crianças

Mapa da cidade feito com desenho das crianças

A criança como protagonista de sua aprendizagem Diferente de muitos trabalhos dos quais temos conhecimento, as crianças, nas escolas de Reggio, se comportam como protagonistas nos projetos desenvolvidos; elas não são “atores” nos trabalhos desenvolvidos mas, sim, autores. A criança, em Reggio, é vista como competente, forte e rica – uma criança produtora e não apenas usuária de cultura. Essa postura ratifica a ideia de educação da infância e não educação pela infância, porque não é o adulto que faz para a criança. Ele é o mediador dos seus desejos e de suas necessidades. Nesse processo, a ambientação e o espaço físico são planejados para facilitar o diálogo e a comunicação entre os vários ambientes escolares. As plantas das escolas não têm um projeto único, mas valorizam um espaço central chamado de piazza, onde todos da escola podem se encontrar, e a cozinha como um local que simboliza a cultura italiana. Evitam a planta horizontal e eliminam os corredores por darem a impressão de hierarquização. Valorizam a planta que permita, com um único olhar, que toda a escola seja visualizada por todos.

fonte: mamaesabetudo.blogspot.com

fonte: mamaesabetudo.blogspot.com

fonte:www.feelgood-desgins.com

fonte:www.feelgood-designs.com

Como a imaginação se destaca nesse universo educativo No trabalho dos professores de Reggio destaca-se, dentre outras coisas, o poder da observação como uma postura de valorização dada à criança, de validar sua curiosidade e de estimular nela o desejo de conhecer o mundo que a rodeia. Entende-se que a mais importante capacidade humana é a de imaginar, e isso, na proposta desenvolvida em Reggio, existe em abundância. Lá, o elemento criativo é imenso, a começar pelas salas de aula, que foram substituídas por grandes ateliês (ou acoplados a elas mini-ateliês), ricos em objetos diversificados, que aguçam o processo criativo e aumentam as experiências das crianças.  Nos ateliês, elas podem manipular e trabalhar com botões, tecidos, velas, retalhos de papéis, diferentes tipos de grãos, sementes, pedaços de madeira, lã, além de objetos comuns em ateliês: mesas de espelho, mesas de luz, pincéis, diferentes tintas, cavaletes, tesouras, réguas, entre muitos outros. Esses recursos são livremente utilizados pelas criança e icluem, também, objetos apontados por nós como perigosos: vidros, arames encapados, tesouras com pontas..

O papel do adulto, tanto o professor como o atelierista, no processo de construção e levantamento de hipóteses do pensar sobre algo é criar possibilidades de concretizar as fantasias infantis. Em um dos projetos, o “Parque de Pássaros”, as crianças imaginaram como seria fantástico se os pássaros também tivessem um parque de diversões, uma fonte para se refrescar e outros brinquedos para os alegrar. A função do adulto, nesse caso, foi a de alimentar essa ideia e construir uma rede de parcerias com a comunidade: imprensa, os profissionais da área da construção _ o encanador, por exemplo _ e professores que utilizavam os desenhos e as ideias dos alunos e discutiam o processo de descoberta e desenvolvimento das crianças. Esses professores encorajam seus alunos a realizar experiências que, a princípio, parecem inviáveis para a escola. Em Reggio, os professores se utilizam dessas fantasias, encorajando as crianças a discutirem as possibilidades de realização de novos experimentos. Com isso, o professor aproveita as explicações e falas dos alunos como objeto de estudo do potencial infantil, para cultivar e promover o processo criativo, apontar a importância do respeito às ideias do outro e entender que as crianças criam verdadeiras teorias a partir de suas observações. Dessa forma, a liberdade de poder manifestar suas ideias as leva a se expressarem de maneira extremamente poética.

Anáile Abrahão

Quer saber mais?

images“O papel do ateliê na educação infantil” – Editora Artmed

Referência bibliográfica: Miranda, Heide. O imaginário nas escolas de Reggio Emilia. In: I Seminário Educação, Imaginação e Linguagens Artístico-Culturais. 7p.

A Abordagem Reggio Emilia para a Educação Infantil (parte2): um breve histórico

 “… cem mundos para descobrir

…cem mundos para inventar

…cem mundos para sonhar…”

Loris Malaguzzi, idealizador da abordagem Reggio Emilia

          As escolas de Reggio Emilia, em meu modo de ver, representam um marco na organização da sociedade civil dessa região italiana, pois foram os próprios pais dos alunos que, em meio aos escombros da Segunda Guerra, aproveitaram os tijolos e os ferros das casas bombardeadas para construir escolas para as suas crianças, dando-nos o testemunho de que é possível transformar a realidade quando há ideal, determinação e compromisso.

As escolas foram organizadas, inicialmente, em locais improvisados (e não construídos para o desenvolvimento de atividades com crianças pequenas) com participação ativa dos pais, que entendiam que eles deveriam, também, participar da educação formal (e, portanto, escolar) de seus filhos.

O esforço e o desejo desses pais recebeu direcionamento através da extraordinária visão de Loris Malaguzzi, um jovem professor naquela época, que dedicou a vida ao desenvolvimento de sua filosofia conhecida como Abordagem Reggio Emilia para a Educação Infantil.

O sistema educacional do município de Reggio para crianças pequenas (de três meses a seis anos) sempre se caracterizou por ser uma comunidade de pesquisa e de intenso trabalho de formação de professores. Sua estrutura tem uma forte organização, um grande relacionamento com a comunidade e uma intensa participação dos pais.

As escolas de Reggio Emilia se tornaram visíveis aos olhos de todo o mundo quando, em 1991, a revista americana Newsweek escreveu um longo artigo destacando-as como uma das melhores do mundo em Educação Infantil.

Mas, afinal, o que é a Abordagem Reggio Emilia?

         No ponto central da Abordagem Reggio Emilia para a Educação Infantil está a crença de que as crianças são cheias de  curiosidade e criatividade. Em suas mentes, não existem espaços vazios esperando serem preenchidos por fatos, imagens ou datas. Por isso, o currículo nas escolas é flexível e emerge das ideias, pensamentos e observações das crianças. Seu objetivo principal é cultivar uma paixão permanente pela aprendizagem e pela exploração.

Os seguintes fatores são inerentes a essa abordagem:

  • A imagem da criança como protagonista, investigadora e comunicadora;
  • O professor como parceiro, guia, pesquisador e  aprendiz;
  • A importância da Arte como linguagem expressiva;
  •  A cooperação como base de todo o sistema educacional;
  • O ambiente como o terceiro professor;
  • Os pais como parceiros no processo de ensino- aprendizagem;
  • A Documentação Pedagógica como forma de comunicação.

Nas próximas semanas, cada um desses aspectos será apresentado separadamente, apesar de serem totalmente correlacionados.

Anáile Abrahão

Quer saber mais?

 download

“Diálogos com Reggio Emilia: Escutar, Investigar e Aprender”, Carla Rinaldi, Ed. Paz e Terra, 2012.

 

Referências Bibliográficas:

THE REGGIO EMILIA APPROACH TO EARLY YEARS EDUCATION. Glasgow: Learning and Teaching Scotland, 2006. 50p.

MIRANDA, Heide. O imaginário nas escolas de Reggio Emilia, Itália. 2005. 7p.

Imagem: http://www.reggioalliance.org/reggio_emilia_italy/infant-toddler_centers_and_preschools.php

Reggio Emilia e a valorização da primeira infância

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A primeira vez que ouvi falar sobre Reggio Emilia (uma cidade de 168 mil habitantes localizada no norte da Itália) foi em 2008, em um grupo de estudos formado por educadores que se debruçava sobre a leitura do livro “As cem linguagens da criança”, que apresenta o projeto educacional desenvolvido naquela comunidade. O objetivo da abordagem educacional lá desenvolvida é, segundo seus educadores, criar uma criança protagonista, investigadora, capaz de descobrir os significados das novas relações e de perceber os poderes de seus pensamentos por meio da síntese de todas as linguagens: expressivas, comunicativas e cognitivas.

Conhecer a prática de valorização da infância tão presente em Reggio só fez aguçar ainda mais meu interesse pelo assunto. Minhas leituras sobre o tema continuaram e, com elas, veio o desejo de conhecer de perto esse trabalho tão fascinante.

Esse sonho ficou adormecido por alguns anos até que, em maio de 2012, juntei-me a um grupo 250 apaixonados pela Educação e voamos até a Itália na busca de troca de experiências pedagógicas e de conhecer um pouco mais sobre a abordagem utilizada nas escolas Reggianas.

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Foi uma semana mágica e cheia de descobertas! Os estudos aconteceram no Centro Internacional Loris Malaguzzi, cujo nome foi dado em homenagem ao idealizador da proposta educacional seguida pelas escolas da comunidade. Foram muitas palestras e apresentações de projetos, mas o que mais nos tocou e nos deixou boquiabertas foram as visitas às escolas. Nelas, pudemos conhecer professoras e coordenadoras locais e perceber que todo o ambiente escolar é permeado pelas criações das crianças; ambiente no qual imperam a preocupação estética e a organização; ambientes cheios de luz, cores, sons e perfumes.

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Impossível não se comover. Impossível não se inspirar. Foram muitas descobertas que possibilitaram meu crescimento e aprimoramento profissional e o desejo de aprender cada vez mais sobre como transformar nossa realidade inspirada em uma prática educativa tão bem sucedida.

 Anáile Abrahão

Ao longo desse mês, postaremos uma série de textos e dicas sobre a Abordagem Reggio Emilia para a Educação Infantil. Aguardem!

Quer saber mais?

 

“As cem linguagens da criança” _ Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman _ Editora Artmed

 

 

 

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“`A procura da dimensão perdida” _ Giordana Rabitti _ Editora Artmed